terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Tela de Cristal - parte 02

Daniel é o nome de um grande amigo meu. Ou de alguém que eu considerava um grande amigo.

Eu o conheço desde o terceiro colegial. Ou melhor, conheço há mais tempo, mas nos tornamos amigos somente há quatro anos. È uma pessoa com quem sempre contava, embora não fosse meu "homem de confiança" o suficiente para confia a ele meus segredos ou fatos pessoais, sabia que era um amigo que poderia manter para sempre. Mas já não sei mais...

Ele e a Marina eram conhecidos. Trocavam palavras assim como eu as troco com pessoas que não são amigas nem inimigas. E a Flávia (outra amiga que antive desde o término do colegial), bom, talvez ela e o Daniel fossem mais amigos do que conhecidos, mas nunca os considerei próximos, já que ouvi, até demais, a Flávia falar mal dele para mim...

Eis que acontece um fato surpreendente: todos eles combinam de viajar para Piracicaba... E nem cogitam a idéia de me convidar... Lóóógico - sempre que viajavam juntos, o Caio nunca funcionava como ponte. Nunca era o Caio que, ao combinar com uma das partes, convidava a outra. O Caio nunca funcionou como mensageiro, intermediando as conversas. Então, de uma hora para outra, não só o Caio não é mais necessário como ponte, como também é uma presença dispensável. De acordo com a Flávia, o Daniel disse que havia me chamado. Errado: ele nem ao menos me ligou... De acordo com o Daniel, a Flávia não havia pedido para me chamar. Mas é claro: a Marina, que era uma conhecida, ele nem hesitou ao insistir para que a Flávia convidasse... Agora, o Caio, se a Flávia não pede para chamar, é uma presença dispensável...

Passaram o dia e a noite juntos... Tornaram-se grandes amigos...
Se algo aconteceu, eu não sei... Todas as pessoas envolvidas perderam a minha confiança - e assim, suas palavras perderam o valor. E, mais uma vez, o melhor amigo e a garota amada me colocam no chão... É incabível para mim dizer que não houve segundas intenções do Daniel, quando euvi a insistência dele para que a Marina fosse... E algo que sempre achei inconveniente nele é o desespero para encontrar uma namorada. Sempre o vi atirando para todos os lados, só esperando acertar algum alvo que fosse interessante. Não o vejo se aproximando de uma garota sem segundas intenções.

E o agravante nisso tudo: eu passei seis meses, na presença e ausência dele, falando sobre aquilo que eu sentia pela Marina. E a desculpa preferida do momento é: "eu não sabia"... Falar, eu falei. Tenho certeza disso... Nesses seis meses, eu nunca reclamei das atitudes da Marina como desabafo - era um aviso: não se aproximem dela, pois a Marina é um território proibido para meus amigos. Se ele ignorou meus "avisos", ou é porque não presta atenção no que acontece ao seu redor, ou é porque nunca se importou realmente comigo. E, se mesmo sabendo dos meus sentimentos, buscou uma relação que proibi, é porque ele nunca me viu como amigo mesmo...

Eu tentei esclarecer esta história. Dei a ele a chance de se explicar, simplesmente para ouvir um "não é da sua conta!"...

Estava em dúvida, até hoje, se deveria reconsiderar minha posição com relação a ele. Chego à conclusão de que não... Pode não ter acontecido nada entre eles, mas houve a intenção e isso é inegável. E se de boas intenções o inferno está cheio, de más intenções o céu está lotado. E é como eu disse: o amor é imprevisível. Vai saber se a Marina não adquiriu um interesse romântico nele durante este passeio em que o Caio foi deixado, convenientemente, de lado?

É insuportável, para mim, imaginar a Marina nos braços de outro homem.

Já que ficou claro que ela não me quer, eu não quero estar lá quando ela encontrar os braços de alguém. Eu mereço mais do que isso...

Eu prefiro morrer a ver com meus próprios olhos que não sou homem suficiente para a mulher que amo...

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